Imagem divulgada pelo Estadão mostra Floriano Marques, do TSE, em conversa reservada com Juca Oliveira Lima num hotel de Brasília.
Um ministro do TSE próximo a Alexandre de Moraes foi visto em conversa reservada com o advogado de Daniel Vorcaro em um hotel de Brasília. A imagem publicada pelo Estado de S. Paulo, mostra Floriano de Azevedo Marques Neto e José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, conversando, com o ministro com a mão no rosto. A foto, divulgada nesta quinta-feira (7), chamou atenção porque o encontro aconteceu apenas um dia após o ex-banqueiro entregar sua proposta de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.
De acordo com o jornal, a conversa aconteceu no B Hotel. Ministro e advogado entraram e saíram separadamente.
Floriano de Azevedo Marques Neto foi o primeiro a confirmar o encontro ao jornal. Ele disse que o papo com José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, foi breve e informal, de poucos minutos. Segundo o ministro, não houve qualquer pergunta sobre o conteúdo da delação.

“Eu realmente confesso a você que não perguntei nada sobre isso. Eu confesso a você que fui conversar com um amigo. Uma pessoa que eu conheço há 20 anos. Amigo de longa data. Já trabalhamos juntos. Ele falou que estava morando aqui, que ontem havia entregue a delação e eu obviamente falei: ‘puxa vida, que coisa’. Mas eu realmente não tenho nenhum assunto a tratar sobre isso, porque não tenho nada a ver com o Master”, disse.
A assessoria de Juca Oliveira Lima classificou como “leviandade” qualquer interpretação de que oministro e o advogado tenham discutido o conteúdo ou detalhes da delação premiada de Daniel Vorcaro.
A suposta relação de Alexandre de Moraes com o caso
O ministro Alexandre de Moraes aparece de forma indireta nas investigações do Banco Master, conforme reportagens da imprensa. O escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, prestou serviços jurídicos ao banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, antes da liquidação da instituição pelo Banco Central.
De acordo com o jornal O Globo, o contrato previa pagamentos que poderiam chegar a cerca de R$ 129 milhões. Dados da Receita Federal citados pela imprensa indicam que os valores efetivamente recebidos teriam sido da ordem de R$ 80 milhões.
Além disso, a Polícia Federal alega ter encontrado no celular de Vorcaro mensagens trocadas com Moraes no dia de sua primeira prisão, 17 de novembro do ano passado. Segundo a colunista Malu Gaspar, do O Globo, Vorcaro questionou o ministro sobre tentativas de “bloquear” notícias relacionadas ao banco, com a frase: “Fiz uma correria aqui para tentar salvar. Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Moraes respondeu minutos depois, mas a mensagem foi enviada no modo “visualização única” do WhatsApp e desapareceu após ser lida.
Não há acusação formal contra o ministro ou sua esposa. Moraes nega qualquer irregularidade ou favorecimento.
A Operação Compliance Zero
A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, investiga um dos maiores esquemas de fraudes financeiras dos últimos anos no Brasil. As apurações giram em torno do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, e apontam para a emissão massiva de títulos de crédito sem lastro real — os chamados “títulos podres” —, que eram vendidos a outras instituições, como o Banco de Brasília (BRB), causando prejuízos bilionários ao sistema financeiro.
Além das fraudes contra o mercado financeiro, a PF apura crimes de lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa e até ameaça e invasão de dispositivos informáticos. As investigações indicam que Vorcaro seria o principal articulador do esquema, que envolvia empresas de fachada e contratos simulados.
Até o momento, a operação já teve cinco fases:
1ª fase (novembro/2025): Prisão inicial de Vorcaro e outros envolvidos.
3ª fase (março/2026): Nova prisão preventiva de Vorcaro, autorizada pelo ministro André Mendonça do STF.
5ª fase (7 de maio de 2026): Deflagrada nesta semana, com buscas na residência do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e bloqueios de bens. A PF suspeita que Vorcaro teria oferecido vantagens indevidas ao senador, como viagens de jatinho, hospedagens e pagamento de despesas, em troca de favorecimentos políticos.
As investigações também identificaram um grupo apelidado de “A Turma”, supostamente mantido por Vorcaro para coagir e ameaçar desafetos, incluindo supostos planos de intimidação contra jornalistas.
O ex-banqueiro segue preso preventivamente desde março deste ano e entregou, nesta semana, uma proposta de delação premiada que ainda está em análise pela PF e pela PGR.
Quem são Floriano Marques e Juca Oliveira Lima
Floriano de Azevedo Marques Neto é professor titular de Direito Administrativo da Faculdade de Direito da USP. Foi indicado por Lula ao TSE em 2023, com apoio de Alexandre de Moraes, de quem é próximo desde a graduação na mesma universidade. Atua como ministro do Tribunal Superior Eleitoral.
José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca, atuou na defesa de José Dirceu no processo do Mensalão e participou de negociações de delações premiadas na Operação Lava Jato, incluindo o caso de Léo Pinheiro (OAS). Ele assumiu recentemente a defesa de Daniel Vorcaro, substituindo o advogado Pierpaolo Bottini.
FONTE: O cruzeiro







