A reportagem de O Cruzeiro sondou profissionais liberais e políticos sobre mais uma declaração controversa do petista.
A corrida eleitoral ainda não começou oficialmente, mas Luiz Inácio Lula da Silva dá sinais de que não pretende abandonar a cartilha do Foro de São Paulo para se manter no poder.
Após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última quinta-feira (7), em Washington, o ocupante do Palácio do Planalto abordou questões ligadas ao tráfico de drogas.
Em uma delas, o petista disse ser “muito complicado” impedir a produção de cocaína, em razão das comunidades pobres da América Latina.
“Como que você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece uma alternativa de algum produto para que alguém possa plantar e ganhar dinheiro?”, disse Lula.
A reportagem de O Cruzeiro entrou em contato com cidadãos que atuam em segmentos diversos da sociedade para saber como eles absorveram a fala do ex-sindicalista.
“Acredito que seja apenas uma falácia”, aponta o dentista paulistano Cyro Leone. “Uma pessoa que planta folhas de cocaína não vai trocar uma atividade que gera milhares de dólares para uma plantação comum”, analisa. “Talvez, se orientarmos uma criança ou um jovem para que ele abrace uma outra atividade, isso possa tirá-lo desse submundo. Mas a questão aqui de trocar cocaína por uma plantação comum é besteira.”, ratifica.
O delegado Hélio Bressan acredita que a afirmação de Lula seja uma prova de sua atuação em defesa das facções.
“A fala desse presidente é insana e nos leva a acreditar que ele está engajado a defender o narcotráfico e traficantes”, afirma o agente público.
A esteticista paulistana Tatiana Rocha concorda com a análise:
“Não me espanta essa justificativa, sabemos que existem ligações do narcotráfico com políticos. A população com medo e sem incentivos legais para alcançar uma vida melhor é mais fácil de ser manipulada”, calcula.
O agente administrativo Paulo Eduardo Palazzi lembra que o Brasil é um país com muitas carências básicas, enquanto Lula se preocupa em proteger traficantes.
“A produção e o tráfico de drogas são atividades rentáveis para Lula. Ele se esquece dos bilhões de reais de impostos que deveriam ir para saúde. Será que ele reflete sobre o quanto se gasta com o tratamento de dependentes químicos pelo SUS?”
O vereador por São Paulo Rubinho Nunes classificou a analogia feita pelo petista como “um tapa na cara das famílias vítimas do tráfico e da violência”.
“Lula age como se o problema da cocaína fosse falta de incentivo agrícola, como se coca fosse soja”, ironiza. “Na verdade, o problema é o crime organizado que destrói países inteiros. A esquerda romantiza o narcotráfico há décadas, e agora tenta até justificar a produção da matéria-prima da cocaína”, compara.
Outros dois políticos “compartilham” a opinião sobre Lula – mas de uma forma mais radical.
“Quer dizer que agora os ‘produtores de coca’ são trabalhadores e o Estado tem que oferecer alternativas de ‘emprego’? As únicas alternativas para traficantes são cadeia ou cemitério”, afirma a vereadora Eduarda Campopiano.
“Lula tradicionalmente defende a folha de coca e as ditaduras que são sustentadas pelo narcotráfico. Talvez ele queira entrar nesse grupo seleto de ditadores. Há milhares de produtos que as pessoas podem produzir, mas Lula tem uma especial predileção por aquele que é a base do tráfico mundial”, ironiza o vereador Adrilles Jorge.
O advogado carioca Ênio Viterbo, que atualmente reside em Portugal, pontuou que um chefe de estado não poderia, em tese, condicionar o combate ao tráfico à criação de alternativas para seu sustento:
“Essa lógica do Lula tem um problema sério. Ela inverte a ordem das responsabilidades. Um chefe de Estado não pode, na prática, condicionar o combate ao narcotráfico à criação de alternativas econômicas pelos países vizinhos”, expõe.
“Sem contar que programas de desenvolvimento alternativo para substituição da coca já existem há décadas, financiados por organismos internacionais. Do ponto de vista estratégico, a fala também enfraquece a posição do Brasil internacionalmente e sinaliza uma espécie de condescendência com o narcoestado”, completa o advogado.







