Grupo avança nas negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos e diz estar pronto para deixar o poder.
O Hamas anunciou nesta segunda-feira (06/07) que dissolveu seu governo de fato em Gaza e sinalizou que está pronto para passar o poder a um grupo de tecnocratas palestinos. Ao mesmo tempo, pressiona Israel a cumprir outras partes de um plano de paz apoiado pelos Estados Unidos, que está paralisado.
O governo funciona há mais de uma década, e o encerramento do órgão é parte importante da negociação mediada pelo presidente dos EUA, Donald Trump. O plano de criar uma palestina pós-guerra começou depois do cessar-fogo assinado pelo Hamas e por Israel em outubro de 2025.
Mesmo com a dissolução do governo de fato, o Hamas continua com o comando dos ministérios. O grupo afirmou que os funcionários por ele nomeados permaneceriam em seus cargos e que continuaria supervisionando a segurança e o policiamento nas áreas de Gaza, que permanecera sob seu controle após o cessar-fogo.
De acordo com a Reuters, o Conselho de Paz nomeado por Trump para acompanhar o conflito disse que as ações do Hamas foram notadas, mas que espera ações mais concretas. “Em última instância, nossa avaliação será orientada por ações, não por promessas, para atender às necessidades criticas da população de Gaza”, disse em nota.
Israel ainda não se posicionou sobre o caso. O Hamas acusa o país de violar repetidamente o cessar-fogo e de não cumprir outras partes do plano, que prevê a retirada das forças israelenses de Gaza à medida que o grupo entrega as armas. Israel afirma que seus ataques desde o cessar-fogo têm como objetivo neutralizar ameaças militantes.
De acordo com o plano apoiado por Trump, o Hamas deve transferir a supervisão do governo para um Comitê Nacional para a Administração de Gaza, um grupo de tecnocratas palestinos apoiado pelos EUA.
Em uma coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira na Cidade de Gaza, Ismail Al-Thawabta, diretor do escritório de mídia do governo Hamas, disse que o chefe do órgão de fiscalização Comitê de Emergência do Governo havia renunciado e que o próprio órgão havia sido dissolvido.
“Isso é uma demonstração da seriedade dessas medidas, na implementação dos acordos firmados, e para facilitar o processo de transição administrativa para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, apoiado pelos EUA”, disse Thawabta.
O chefe do Comitê Nacional, Ali Shaath, disse que estava pronto para assumir sua responsabilidade em Gaza assim que os recursos necessários e as condições propicias para seu trabalho estivessem disponíveis.







