Sessões promovidas pelo USTR debatem quatro eixos da investigação comercial que embasa a proposta de sobretaxa; governo brasileiro intensifica negociações para tentar barrar a medida.
As audiências públicas começam nesta segunda-feira (6/07) e reúnem representantes do governo americano, empresas e entidades interessadas na investigação aberta pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos).
Nessa etapa, serão debatidos os quatro eixos que fundamentam a apuração contra o Brasil: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, com destaque para o Pix, combate à corrupção e transparência, proteção da propriedade intelectual e acesso ao mercado para produtos e empresas americanas.
As contribuições apresentadas servirão de base para a decisão final da administração de Donald Trump sobre a imposição da tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
O governo brasileiro enviará uma nova missão aos Estados Unidos nos próximos dias para tentar impedir a entrada em vigor da tarifa de 25% proposta pela administração de Donald Trump sobre produtos brasileiros.
A decisão final do Escritório do Representante de Comércio dos EUA é esperada até 15 de julho, e Brasília aposta em uma última rodada de negociações para evitar prejuízos às exportações nacionais.
A delegação brasileira pretende reforçar argumentos apresentados por representantes da indústria e do agronegócio, que defendem a manutenção do comércio bilateral e alertam para os impactos econômicos da medida sobre empresas dos dois países.
O governo também sustenta que temas como o Pix e questões políticas internas não devem fazer parte das negociações comerciais.
Enquanto a diplomacia tenta reverter a proposta, o tarifaço se tornou um dos principais temas da pré-campanha presidencial.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusa o senador Flávio Bolsonaro (PL) de incentivar a pressão americana e classifica a atuação do adversário como prejudicial aos interesses nacionais. Já Flávio nega qualquer responsabilidade e afirma ter pedido ao governo Trump que adie por 180 dias a decisão sobre as tarifas, argumentando que uma medida antes das eleições de outubro beneficiaria politicamente Lula.
Em documento enviado ao USTR, Flávio defende que o cenário político brasileiro será redefinido após as eleições e que um eventual acordo comercial teria melhores condições de ser negociado pelo próximo governo.
A proposta, porém, ainda não recebeu sinalização positiva da administração americana, que afirma persistirem divergências sobre os pontos que fundamentam a investigação comercial contra o Brasil.
Com prazo apertado para a decisão dos Estados Unidos, o governo brasileiro concentra esforços para evitar a nova taxação, enquanto a disputa sobre quem será responsabilizado pelo impasse já ocupa o centro do debate político entre os dois principais pré-candidatos ao Palácio do Planalto.







