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Flávio transforma Paulista em ato contra Moraes

A Avenida Paulista voltou a ser palco de um ato da direita neste 7 de Setembro. Candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) reuniu milhares de apoiadores, concentrou críticas no ministro Alexandre de Moraes e afirmou que indicará cinco ministros para o Supremo Tribunal Federal caso seja eleito.

“Eu vou indicar cinco ministros do Supremo Tribunal Federal, porque Alexandre de Moraes vai cair”, declarou o senador diante do público.

O discurso marcou uma mudança de estratégia em relação a manifestações anteriores. Em vez de direcionar ataques ao Supremo como instituição, Flávio procurou separar Moraes da Corte e afirmou que pretende “proteger o STF de Alexandre de Moraes”.

Durante o ato, o candidato também associou o ministro ao presidente Lula e transformou a crise envolvendo as mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em um dos principais temas da campanha.

“Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes.”

Promessas para o STF e segurança pública
Além da promessa de renovar parte da composição do Supremo, Flávio apresentou compromissos para a área de segurança. Ele afirmou que pretende classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, reduzir a maioridade penal e endurecer penas para crimes patrimoniais.

“Vou indicar homens e mulheres que sejam contra aborto, contra drogas, contra ideologia de gênero nas escolas”, afirmou.

O candidato também prometeu elevar o padrão do Sistema Único de Saúde e defendeu cortes de impostos como parte de sua plataforma econômica.

Herança política de Bolsonaro
O discurso foi permeado por referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio relembrou o atentado de 2018, classificou as condenações relacionadas ao 8 de Janeiro como uma “segunda facada” e afirmou que recebeu do pai a missão de continuar seu projeto político.

“Por providência divina, a missão que Bolsonaro passou para o filho primogênito, eu estou encarando mesmo que a minha vida esteja em risco e fazendo campanha com colete à prova de bala porque sei do que a esquerda é capaz. Eu faço campanha com colete à prova de bala porque sei que o povo brasileiro é o colete do Brasil, que defende nossa democracia. Vão tentar uma terceira facada, não só em mim, mas nos meus aliados, eu estou avisando.”

O candidato também usou uma camisa em homenagem ao pai e afirmou que faz campanha utilizando colete à prova de balas.

Campanha buscou elevar o tom sem ampliar riscos jurídicos
Nos bastidores, a campanha adotou cautela. Segundo apuração do Estadão, Flávio recebeu orientação da equipe jurídica para evitar ataques às urnas eletrônicas, ao sistema eleitoral e ao Tribunal Superior Eleitoral.

A estratégia foi concentrar o embate em Alexandre de Moraes, sem produzir declarações que pudessem gerar questionamentos na Justiça Eleitoral durante a reta final da campanha.

O advogado Paulo Bueno, defensor de Jair Bolsonaro, permaneceu ao lado do candidato durante praticamente todo o discurso.

Aliados reforçaram críticas ao ministro
O governador Tarcísio de Freitas participou da manifestação e defendeu que nenhuma autoridade está acima da Constituição. Nikolas Ferreira afirmou que Flávio seria o único candidato capaz de impedir novas indicações de ministros alinhados ao PT, enquanto Silas Malafaia foi o principal orador a citar diretamente as mensagens entre Moraes e Daniel Vorcaro.

Valdemar Costa Neto também discursou e vinculou a eleição de Flávio ao futuro político de Jair Bolsonaro.

Público e símbolos do ato
Levantamento do Monitor do Debate Político da USP e da More in Common apontou pico de 28,5 mil pessoas na Avenida Paulista.

Bandeiras do Brasil dominaram a manifestação, acompanhadas por símbolos já tradicionais do bolsonarismo, como um boneco inflável de Donald Trump e cartazes pedindo o impeachment de Alexandre de Moraes.

O nome do ministro concentrou a maior parte dos gritos e faixas exibidos pelos manifestantes, enquanto André Mendonça foi tratado por parte do público como contraponto dentro do próprio Supremo.

Ao encerrar o evento, Flávio apareceu segurando uma tesoura de papelão, em referência ao “tesouraço” de gastos que promete implementar caso seja eleito, antes de deixar o trio elétrico para cumprimentar apoiadores.

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