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O que esperar da visita de Lula a Donald Trump

Entre o cerco geopolítico dos EUA e a crise com o STF, o presidente viaja a Washington em uma missão que parece ter um alvo muito específico: a blindagem do império dos irmãos Batista.

Ah, o Brasil de 2026: um país onde o STF decide quem é rei, o Congresso dá rabanada – não Ratanabá – nos indicados presidenciais e os irmãos Batista viram os vilões preferidos do Tio Sam.

Enquanto isso, Lula, o eterno navegante das crises, anuncia uma viagem relâmpago aos Estados Unidos para um tête-à-tête com Donald Trump.

Coincidência?

Ou será que o presidente, após meses fugindo do temido “Trumpzilla” como quem evita um encontro com o dentista, finalmente capitulou?

Afinal, com os americanos construindo uma das maiores bases militares da América Latina no Paraguai, lado esquerdo do continente; com o porta-aviões nuclear USS Nimitz atracado no Rio de Janeiro, ao lado direito do continente e com a Venezuela ao norte, controlada pelos Estados Unidos – bem na semana da visita, que “curiosidade” –, o quintal ao entorno do Brasil parece ter virado uma base avançada yankee.

Mas vamos aos fatos, com uma pitada de realidade alternativa que o Planalto adora ignorar.

Vamos começar pela bagunça interna no país, que já parece roteiro de comédia pastelão.

Como vimos, na última semana o Senado, capitaneado por Alcolumbre, em um raro surto de dignidade, rejeitou Jorge Messias para o STF.

Apesar de ter repetido o feito de 130 anos atrás, Lula, o nosso “Consolidador da Democracia”, só não sofreu pior derrota que a de Floriano Peixoto, há época intitulado como o “Consolidador da República”, que teve não apenas um, mas cinco nomes rejeitados a indicação para compor a Suprema Corte.

É, Cazuza, como eu já havia dito no meu outro artigo “ECA Digital ou AI-5 digital?” sua música, O tempo não para”, continua atormentando minha mente e eu continuo vendo “o futuro repetindo o passado”.

E tamanho foi o vexame histórico, que uma ala petista, em pânico, inventou uma teoria da conspiração: “a culpa é de Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre, que estariam protegendo o Banco Master.”

Porque, né, Messias era o “justiceiro” perfeito para punir os amigos do ministro. Uau!

Agora, o governo racha até com a esquerda: de herói da “democracia”, Moraes vira “fascista seletivo” porque a esposa dele faturou milhões com contratos suspeitos.

Já o Planalto sorri forçado, como quem solta um pum e finge descaradamente não sentir o cheiro como quem não faz ideia de quem o soltou, enquanto o STF, com apenas 10 ministros, dita a lei vigente como se fosse o novo Congresso.

Mas não para por aí. Gilmar Mendes, o decano eterno, resolveu bancar o chefão da máfia: pressionou o Procurador-Geral Paulo Gonet para enquadrar Romeu Zema por um vídeo satírico – sim, um fantoche dele!

“Lesão à majestade”, diria o decano, que esquece que sátira é protegida pela Constituição (aquela que ele cita quando convém).

Enquanto isso, a PGR resiste: “Arquiva isso, Gonet, ou vira capacho do IDP”.

Um subprocurador foi cirúrgico: “Leal ao Gilmar ou à Constituição?”. Lawfare nível PhD.

O Inquérito do Fim do Mundo?

Aberto até 2030, porque “termina quando acabar”.

Ditadura com sabor de democracia – eu diria.

E como se não tivesse problemas o suficiente, arrisco-me a apostar no gran finale do governo Lula, agora, vindo de fora.

Na segunda-feira, a secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, detonou a bomba:

“Metade dos gigantes da carne, incluindo a JBS – a maior do mundo –, é controlada por estrangeiros. Ameaça aos pecuaristas americanos!”.

Mais que isso, juntamente com outro grupo brasileiro, controlam quase 85% do mercado de carne americano. Até o setor de embalagem de carnes estaria dominado por empresas brasileiras.

E nem me venha, você petista, falar que isso não tem nada a ver, porque a viagem estava marcada desde janeiro.

Lula já teve várias oportunidades para falar com Trump, mas fugiu de todas. E a essa altura do campeonato em meio à crise que vive interna e externamente (ao defender abertamente o Irã, o BRICS e uma nova moeda para substituir o dólar) uma dor de barriga qualquer ou qualquer outro imprevisto seria muito mais viável e fácil, do que enfrentar esse dilema.

Logo fica a pergunta: por que, justamente agora, Lula vem falar com Trump?

Bem, a resposta parece estar mais óbvia do que parece.

Lula, amigo e padrinho dos Batistas, vê o império deles virar calo no pé de Trump, que por sua vez, pressionado intensamente pelos pecuaristas norte americanos, incomodados há décadas com essa invasão estrangeira, exige soluções para o impasse que copia o que a China esta fazendo neste exato com o Brasil: comprando tudo no país e controlando parte considerável da economia ao dominar cadeias produtivas essenciais a saúde financeira e independência de um país.

Ao mesmo tempo, celulares de Daniel Vorcaro (Banco Master) voam para perícia nos EUA e Israel, a Magnitsky – suspensa e não revogada – ainda paira sobre Moraes enquanto o governo Lulista resiste em listar PCC e CV como terroristas.

Some-me a isso o porta-aviões Nimitz no Rio – para “exercícios”? Quais?

Talvez a análise dessas premissas indique o motivo real da suposta fuga de Lula para Trump.

Após meses evitando Trump, Lula terá agora que falar sobre a JBS, comércio desleal e crime organizado.

Aliados suam: “O que entregar? Carne brasileira? Moraes em bandeja?”

Até Alckmin, que meses atrás poderia ser chamado de o “Chuchu dos Aitolás” parece ter se curvado. Elogiou o modelo do FED americano parra controle de juros, e afirmou: “Torço para que essa boa química possa fortalecer ainda mais em benefício dos dois grandes países”.

Bom, Chuchu, nós, brasileiros, torcemos que essa “química” não seja a nuclear, utilizada pelos terroristas que você, até poucos meses atrás tirava foto todo pomposo. Mas pelas tuas falas e pelo contexto de tudo que vem ocorrendo nas últimas semanas, acredito ser possível identificar alguns possíveis desfechos:

Primeiro cenário: Lula “entrega” Alexandre, ganha espaço para indicar mais fiéis ao STF, dominando-o por décadas, e em troca, mantém o caso JBS em sigilo, Batistas saem ilesos, assim como seu governo, pelo menos nesse ano de eleições, evitando ainda mais desgaste do que o que precisa enfrentar nos próximos meses.

Para a direita, esse cenário seria ótimo e péssimo, ao mesmo tempo.

Seria extremamente satisfatório ver “Alexandre que se acha Grande” se apequenar por meio do primeiro impeachment de um ministro da Suprema Corte na história do Brasil e surgir a possibilidade de uma anistia pacificadora. No entanto, seria péssimo que Lula tivesse mais uma cadeira vaga no Supremo, se aproximando cada vez do que aconteceu na Venezuela.

Para o PT, seria excelente ter essa nova vaga em mãos, acumulada com a vaga rejeitada de Messias. Porém, isso seria péssimo para um ano eleitoral, lembrando que o cabeça de Moraes, Gilmar, continuará no Supremo e no TSE em pleno ano eleitoral, o que impõe um risco real de, digamos, uma “interferência vingativa” recaída sobre o pleito.

O efeito desse cenário: problema externo resolvido temporariamente e o interno triplicado com risco real nas pretensões do PT nas eleições.

Num segundo cenário, Lula mente – arte em que ele é mestre supremo –, faz todo tipo de acordo com Trump, promete mundos e fundos e diz que a reunião foi um sucesso, enquanto ele tenta apenas segurar o rojão para evitar mais problemas nesse ano eleitoral crucial a sobrevivência do PT, e quem sabe Trump até não solta um: “Lula, mande Gilmar e Moraes pro meu golf club” – ele adora fantoches.

O efeito desse cenário: problema externo resolvido em termos e interno controlado, ao menos temporariamente.

Num terceiro cenário, esse, a meu ver, o mais improvável, Lula dobrará a aposta, peitando Trump, defenderá os interesses dos irmão Batista (que subsidiarão sua campanha), apoiará os ministros intocáveis (que garantirão sua reeleição) e ao lado dos traficantes por quem ele tem tanto apreço (que lhe darão guarida em caso perca as eleições) salvando mais uma vez nossa democracia, inclusive com a possibilidade de usar de uma GLO, do famigerado art. 142 ou estado de sítio, caso o governo americano ouse interferir nas “escolha” eleitoral dos brasileiros.

O efeito desse cenário: problema externo agravado com riscos de o problema interno se agravar.

De qualquer forma, são cenários hipotéticos. Mas o que eles têm em comum?

Bem, quase nada, exceto que, em todos eles, Lula protege incondicionalmente os irmãos Batista: do mais moderado ao mais provável, ao menos improvável.

Então, por que Lula está vindo para falar com Trump?

Não é pela democracia: Lula já tem parte do STF e do TSE ao seu lado bem como quem irá bancar sua campanha. E se mesmo assim não vencer, acredita ter meios de inibir quem ouse tirar o poder das mãos do PT.

Não é pelos interesses dos brasileiros: Lula se esquivou de Trump durante todos esses meses não fazendo absolutamente nada para tentar salvar o país das tarifas que sofreu.

Não é para pedir pacificação com “o Centrão malvadão fascista”: Lula já declarou abertamente a guerra com Alcolumbre e não dá indícios de que recuará.

A verdade é que Lula está vindo para os Estados Unidos para salvar os irmãos Batista. Todos os cenários que você vislumbrar, do mais pacífico ao mais radical, demonstram isso.

A gente só não sabe quem ou o que o Lula vai entregar para conseguir o que quer.

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