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Correios fecham 2025 com rombo recorde de R$ 8,5 bilhões

Má gestão e aparelhamento político fazem da empresa um buraco fiscal que sufoca o pagador de impostos.

O balanço financeiro dos Correios referente ao exercício de 2025 consolidou o que analistas de mercado já previam: a estatal mergulhou em um abismo fiscal sem precedentes, com um rombo de R$ 8,5 bilhões, mais do que o triplo do registrado em 2024. O número expõe uma fragilidade estrutural que vai muito além de flutuações da economia.

Oficialmente, a empresa atribui o resultado negativo ao peso de obrigações judiciais e ao aumento dos custos operacionais. Contudo, o cenário real dos dados contábeis revela uma instituição que perdeu o rumo em meio a um mercado logístico cada vez mais tecnológico. Enquanto empresas privadas de logística e gigantes do e-commerce expandem suas malhas aéreas e centros de distribuição automatizados, os Correios parecem estagnados em um modelo analógico e pesado.

A recente tentativa de inflar a arrecadação por meio da taxação rigorosa de compras internacionais não surtiu o efeito desejado. Ao contrário: o desestímulo ao consumo de produtos importados reduziu o volume de encomendas, provando que medidas paliativas e protecionistas são incapazes de mascarar a ineficiência interna. A empresa, que já foi o braço forte do comércio brasileiro, vê sua participação de mercado definhar enquanto tenta gerir uma folha de pagamento que consome quase toda a sua capacidade de investimento.

O economista Luís Artur Nogueira afirma que o déficit nos Correios é resultado de má gestão governamental:

Esse rombo nos Correios é mais uma prova da total incompetência do governo Lula na gestão das estatais. Isso é má gestão, é aparelhamento, é colocar pessoas incompetentes em cargos estratégicos. Normalmente, colocam políticos em cargos de chefia, gestão, liderança e, nem sempre, o político é especialista na área.

Os Correios tornaram-se um verdadeiro cabide de empregos e reduto de indicações que ignoram o mérito técnico. A resistência em implementar um plano de desligamento voluntário eficaz e a manutenção de estruturas redundantes são sintomas de uma empresa que opera para si mesma, e não para o cidadão que paga a conta.

A corrupção histórica e os investimentos duvidosos em fundos de pensão, que já sangraram o caixa da companhia, parecem ter deixado cicatrizes que nunca fecharam totalmente, mantendo a estatal sob uma sombra de desconfiança permanente. Diante de um déficit de R$ 8,5 bilhões, a insistência na manutenção do controle estatal sob o pretexto da “soberania” soa como um deboche ao pagador de impostos. A privatização, que já foi uma pauta avançada e depois engavetada por ideologismo, ressurge agora não como uma opção, mas como uma medida de sobrevivência econômica, como defende Nogueira:

Eu sou um grande defensor da privatização de 100% das estatais. Economista liberal que sou, tenho convicção que não é papel do Estado ser empresário. Esse papel é do setor privado.

O economista critica ainda o empréstimo de R$ 12 bilhões feito aos Correios, em dezembro do ano passado, em operações com cinco bancos: Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, com garantias da União.

Isso significa que, se os Correios não voltarem a dar lucro, e não conseguirem pagar as parcelas desse empréstimo de R$ 12 bilhões, quem vai pagar essa conta seremos nós, pagadores de impostos, de novo. E, para piorar, os Correios já anunciaram que vão pegar mais R$ 8 bilhões com os mesmos bancos.

Sem um choque de gestão e a disciplina de capital que o setor privado impõe, os Correios continuarão sendo uma máquina de queimar dinheiro, entregando cada vez menos eficiência e acumulando dívidas que, inevitavelmente, recairão sobre o bolso de todos os brasileiros.

FONTE: O cruzeiro

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