Imagens obtidas pela Coluna mostram o ministro do Supremo Tribunal Federal José Dias Toffoli recebendo empresários no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). O encontro ocorreu em 25 de janeiro de 2023, às margens da represa de Xavantes, na divisa entre Paraná e São Paulo, segundo apuração do Metrópoles.
No vídeo, Toffoli aguarda os convidados em uma área reservada dos jardins do resort. Ele veste camiseta azul-escura, bermuda cáqui e chinelos. Em seguida, um helicóptero Eurocopter AS365 Dauphin pousa no heliponto em frente ao local. A aeronave, de prefixo PT-PCT, faz referência ao banco de investimentos BTG Pactual.
Do helicóptero descem o empresário Luiz Pastore, do grupo metalúrgico Ibrame, e o banqueiro André Esteves, fundador do BTG Pactual. Avaliado em cerca de US$ 12 milhões, o Dauphin pertencia a Esteves. Toffoli cumprimenta Pastore com abraço e beijo no rosto. Minutos depois, aperta a mão de Esteves e também o abraça. Na sequência, os três aparecem conversando, com copos de bebida nas mãos.
O episódio ilustra a rotina do Tayayá, utilizado com frequência por Toffoli para receber empresários, políticos, artistas e autoridades. André Esteves mantém relações com integrantes do Judiciário, do Executivo e do Tribunal de Contas da União. O banqueiro possui negócios que podem ser impactados por decisões do Supremo, embora, à época, não houvesse processos do BTG sob relatoria de Toffoli.
Luiz Pastore atua nos setores de metalurgia, importação, indústria e administração de imóveis. Em outra ocasião, Toffoli utilizou uma aeronave de Pastore para viajar ao Peru, acompanhado do advogado Augusto de Arruda Botelho, para assistir à final da Copa Libertadores. Botelho atua na defesa de Antonio Bull, ex-diretor do Banco Master.
A conduta de ministros do STF tem sido alvo de questionamentos. Diante das críticas, o presidente da Corte, Edson Fachin, propôs a elaboração de um código de conduta para os magistrados. A iniciativa gerou desconforto interno. O escritório da esposa e dos filhos do ministro Alexandre de Moraes foi contratado pelo Banco Master por R$ 129 milhões.
Reportagens do Metrópoles indicam que funcionários do Tayayá tratam Toffoli como proprietário do local. O ministro dispõe de uma casa em área reservada, além de embarcação, e costuma fechar o resort para eventos privados. O empreendimento possui ainda um cassino com máquinas eletrônicas e mesas de blackjack, atividades proibidas no Brasil.
Nos registros formais, o resort aparece em nome de dois irmãos e um primo de Toffoli. Em abril de 2025, o Tayayá foi vendido ao advogado Paulo Humberto Barbosa, ligado a dirigentes da J&F. Dois anos antes da venda, Toffoli suspendeu a cobrança de uma multa de R$ 10,3 bilhões aplicada ao grupo.
Levantamento do TRT-2 mostra que, entre 2022 e janeiro de 2026, Toffoli esteve ao menos 168 dias no resort, em 19 ocasiões. Desde a venda do empreendimento, o ministro passou 58 dias no local, incluindo uma festa no fim do ano que reuniu cerca de 140 convidados.







