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Ex-CEO dos Correios diz que CPI séria pode derrubar presidente da República

Marçal denuncia fraudes em contratos e afirma que a empresa está financeiramente inviável
Em uma entrevista exclusiva concedida nesta quarta-feira (15) ao programa Alive, apresentado por Cláudio Dantas, o ex-CEO e ex-diretor financeiro dos Correios, Valério Marçal, fez duras acusações contra a atual gestão da estatal e afirmou que “criminosos voltaram à cena do crime”.

Segundo ele, figuras envolvidas em antigos escândalos financeiros relacionados a fundos de pensão — como Instituto de Previdência Complementar (Postalis) e Fundação dos Economiários Federais (Funcef) — estão novamente no comando da empresa, o que, segundo Marçal, representa um grave risco à integridade e sustentabilidade dos Correios.

Durante o programa, Marçal apontou diretamente para Fabiano Santos Silva, ex-presidente dos Correios, relembrando seu histórico na Funcef, quando esta participou de investimentos considerados danosos, como nos casos da JBS e Sette Brasil.

“Se a CPI for séria, vai acabar em impeachment do presidente da República”, alertou, ao relacionar os investimentos suspeitos à gestão de aliados do governo atual.

Ele responsabilizou antigos dirigentes, agora de volta à estatal, por práticas que teriam levado ao desmonte da saúde financeira da empresa, citando inclusive esquemas de uso indevido de contratos “Infinity”, que deveriam beneficiar grandes empresas de e-commerce com altos volumes de entrega, mas estariam sendo usados por transportadoras de fachada formadas por ex-funcionários dos Correios.

“O que prejudica o Correio são ex-maus funcionários, que entendem como que a empresa funciona e tiram vantagem disso com roubo e peculato”, disse Marçal.

Além das acusações, Marçal pintou um cenário desolador sobre o futuro da estatal. Segundo ele, a situação do Postalis, fundo de previdência dos funcionários dos Correios, é insustentável e representa uma “bomba-relógio” para os cofres públicos.

“O carteiro, na sua ingenuidade, contribui, mas o governo coloca diretores que compram títulos da Argentina e Venezuela. Consumiram R$ 12 bilhões. E quem paga a conta? O Tesouro Nacional”, lamentou.

Para ele, o caminho seria desmobilizar a estrutura atual, transferir parte dos funcionários para outros órgãos federais e encerrar progressivamente a operação.

“O Brasil não precisa mais dos Correios. Não há capacidade de geração de caixa e a dívida é impagável. Só não roubar já dava lucro”, afirmou.

Gestão solicita empréstimo de R$ 20 bilhões por ano à União
Horas antes da entrevista, o atual presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, revelou que a empresa fechou junho com um rombo de R$ 5,6 bilhões entre ativos e passivos circulantes.

Para evitar o colapso, a principal aposta da atual gestão é a contratação de um empréstimo de R$ 20 bilhões anuais, com garantia da União.

Os recursos seriam utilizados para reestruturação da empresa, refinanciamento de um crédito anterior de R$ 1,8 bilhão e implementação de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV). Apesar da grave crise financeira, Rondon descartou a privatização da estatal, opção defendida por Marçal e outros ex-dirigentes.

FONTE: Claudio Dantas

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