Leão XIV também cobrou reparação às vítimas de abusos na Igreja e criticou o aumento dos gastos militares.
Em uma agenda marcada por posicionamentos sobre temas sensíveis para a Igreja Católica e para a política internacional, o Papa Leão XIV defendeu a proteção da vida desde a concepção, cobrou reparação às vítimas de abusos sexuais cometidos por membros do clero e fez um apelo pela paz durante compromissos realizados nesta segunda-feira (8), em Madri.
Ao discursar para parlamentares espanhóis, na presença do primeiro-ministro Pedro Sánchez, o papa reafirmou a posição da Igreja sobre o aborto.
“Toda vida humana deve ser reconhecida e protegida desde a concepção até o seu fim natural”, declarou.
A manifestação ocorre em meio a discussões políticas na Espanha sobre propostas ligadas aos direitos reprodutivos e à ampliação de garantias constitucionais relacionadas ao tema.
Mais tarde, durante um encontro com bispos espanhóis, Leão XIV abordou outro assunto que segue entre os maiores desafios enfrentados pela Igreja Católica: os casos de abusos sexuais cometidos por integrantes do clero.
O pontífice pediu que as vítimas sejam colocadas no centro das ações da instituição e afirmou que os sobreviventes precisam encontrar acolhimento, escuta e medidas concretas de reparação.
“Diante deste flagelo, a comunidade eclesial é chamada a responder com escuta, verdade, justiça, reparação e um compromisso cada vez mais determinado com a prevenção e uma cultura de cuidado. Toda pessoa ferida precisa encontrar escuta sincera, acolhimento, proteção e caminhos reais para a cura”, afirmou.
Segundo o papa, o enfrentamento do problema exige não apenas a responsabilização dos envolvidos, mas também o fortalecimento permanente de mecanismos de proteção para crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade.
O líder da Igreja também destacou a necessidade de criar ambientes mais seguros dentro das instituições religiosas.
As declarações ocorreram em um momento em que a Igreja Católica continua enfrentando cobranças por respostas mais efetivas aos casos de abuso registrados em diferentes países ao longo das últimas décadas.
Leão XIV também aproveitou os compromissos na capital espanhola para abordar o cenário internacional.
Em meio à renovação dos ataques entre Israel e Irã, o pontífice voltou a defender soluções diplomáticas para os conflitos em curso e criticou o aumento dos investimentos em armamentos por parte de governos ao redor do mundo.
“O mundo atravessa uma profunda crise espiritual e cultural, que se manifesta em múltiplas formas de violência, polarização e desconfiança mútua. As armas podem impor um silêncio temporário, mas nunca poderão construir uma paz autêntica e duradoura”, declarou.
Nos últimos meses, o papa tem adotado um discurso frequente em defesa da paz, da proteção aos migrantes e da busca por soluções negociadas para crises humanitárias. Em Madri, voltou a pedir que líderes políticos priorizem o diálogo e a cooperação internacional diante dos desafios globais.
As declarações reforçam posições que vêm marcando os primeiros meses do pontificado de Leão XIV, especialmente em temas ligados à defesa da vida, à responsabilização institucional e à busca por alternativas pacíficas para conflitos internacionais.







